terça-feira, 22 de maio de 2012

Fashion Rio: viva aos anos 80!

Com direito ao hit do Lulu Santos "garota eu vou pra Califórnia, viver a vida sobre as ondas...", a Blue Man, comemorando seus 40 anos, acaba de desfilar  a sua proposta de moda praia para o verão 2013: mergulhando nos anos 80 recria o corte asa delta. A evitar o espalhafato típico da década, revisita o corte em maiôs com recortes ousados,cores e estampas mais sóbrias, com rápidas e discretas referências ao uso de viseiras e plástico.



Blue Man, Fashion Rio 2013.

A série SOS Malibu, pura inspiração.


* As imagens do desfile da Blue Man foram retiradas do site GNT.


Está faltando apetite, Sr. Karl Lagerfeld!


Não é sinal de originalidade grandes marcas de moda usarem como cenário o Palácio de Versalhes. Só mesmo nessa temporada tivemos duas: Chanel e Dior. Os benefícios são mesmo duplos: as marcas ressaltam ainda mais os seus signos de luxo e o Palácio francês ganha em visibilidade, desejo como se gosta de falar no mundinho, impulsionando o turismo etc e tal.

O que apresentava-se original foi a data escolhida para a Chanel desfilar a sua coleção pré-primavera 2013 - dia 14 de maio (oras, nem é julho!). Um dia antes de François Hollande assumir a presidência na França, o perspicaz Karl Lagerfeld intitula a sua coleção  “Versailles na França socialista”, servindo-se de tão importantes símbolos franceses - o próprio palácio a representar a França monárquica e seu inverso, a revolução.

Como é através de bons símbolos que se controi a memória de um país e também a moda, titio Lagerfeld que possui larga experiência  na área (mais de vinte anos de Chanel) usufrui de dois - Maria Antonieta e os ideais revolucionários franceses e da própria marca que comanda.

A sua Maria Antonieta é mesmo aquela, pura mística fashion, a que atua no filme de Sofia Coppola, de tão moderninha escuta rock'n'roll, mistura rococó com punk, sapatinhos da corte e tênis, laçarotes e babados com fivelas agressivas e tachas, pastel rococó com fortes cores barrocas e por aí vai conquistando mais e mais admiradores para o seu original (?) estilo.


Os ecos revolucionários de sua coleção ressoam em detalhes da silhueta do século XVIII - anquinhas, laços, babados, corte a la française - combinados à pegada streetwear típica dos anos 90; dourados barrocos com pastéis rococós; casacos nobiliárquicos com calças cargos, tweeds de pedrarias, laços e bordados...



Revoluções essas também experimentadas por estudantes de moda em suas primeiras coleções. Me faz lembrar da frase de Victor Hugo,  "em tempo de revolução, cuidado com a primeira cabeça que rola. Ela abre o apetite ao povo".

Faltou apetite, Lagerfeld!

* as fotos foram retiradas do novo e bom site de Lilian Pacce, http://msn.lilianpacce.com.br/desfile/chanel-pre-primavera-verao-2013/

segunda-feira, 21 de maio de 2012

novos ventos

Figurino de Coco Chanel para Balé Russo, TrainBleu

De plural em plural, tornamo-nos três: Fernanda, José Gabriel e Alice. E diante de tão grande acontecimento, a vida nem pode passar assim da mesma forma...
Em bons ventos, o escrivinhador (venho lendo Tia Julia e o escrevinhador de Vargas Llosa) de futebol, assiste muito, mas não escreve; escuta muito, mas não mixa...entre pré-natais e etcetaraetais, lê Aristóteles,Hobbes, Platão e Maquiavel, vai mesmo se pós-graduar. Ah, e também lê Rousseau, Emílio, daí já é para ser o pai da Alice e certificar-se o que a educação ilustrada do século XVIII tem mesmo a nos ensinar...
E eu, um tanto barriguda, venho de tantas histórias, histórias contadas para as crianças e também adultos, consultorias, aulas, muitas aulas, de moda, cultura e muita história...
O silêncio do moda, futebol e arte deve-se a isso, em ventanias silencia-se, não se compete com o barulho arrasador dos ventos, escuta, observa-se e espera passar.
Hoje é dia de volta, não de retorno garantido, pois talvez, por enquanto,  falemos mais de moda do que de futebol...Já fiz promessa que entre uma mamada e outro chorinho, sai um postizinho, alguns"simplinhos" e amenos só para informar alguma coisa do mundinho, outros para dar uma dica, consultorias, ainda outros para contar experiências (grandes conhecimentos alcançados em recriar um guardarroupa para 9 meses de gestação), e mais uns e outros sem muita leveza, pois de alfinetadas em alfinetadas que também se faz uma boa moda. Só mesmo o tal do look do dia que a minha crítica timidez ainda não permitiu.
Pois então, que venham as palavras, pois é delas que sinto saudade!

Figurinos Balé Russo

segunda-feira, 5 de março de 2012

E o Oscar de melhor figurino vai para...a nostalgia dos anos vinte!

Já faz algum tempo que não tenho paciência para assistir à cerimônia do Oscar, longa e cansativa, porque se pretende sempre espetacular e divertida. Mas não deixo de acompanhar as indicações, os modelitos usados pelas estrelas e alguns ganhadores, em poucos quesitos como melhor filme, direção, direção de arte, som e, óbvio, figurino.

Nesse ano, mais um grande ganhador - O Artista, de Michel Hazanavicius.

O figurino é realmente belíssimo, não só por ser histórico, como tanto gosta Hollywood, mas também e, principalmente, por alcançar uma recriação artística da moda usada nos anos 1920/30, conseguindo contar a história dos personagens pelas roupas e suas texturas. Acho que isso já vale um outro post - a história contada pelas roupas e texturas em O Artista.


O Artista é uma história de amor, de amor entre um homem e uma mulher, amor por uma época e amor por uma ideia de cinema. O filme se passa na virada das décadas de 1920/30 e conta a história de George Valentin (interpretado por Jean Dujardin, premiado como melhor ator), ator do cinema mudo, que se vê em inevitável decadência com o nascimento do cinema falado. Por oposição, se apaixona por uma atriz desconhecida, Peppy Miller (Bérénice Bejo) que representa a meteórica ascensão das novas estrelas de Hollywood - atrizes do cinema falado que no final da década de 1930 se transformarão nas grandes divas de Hollywood.


O filme - assim como nossa moda - tem gosto de saudade, nostalgia, por vezes, melancólica. Através da resistência de Valentin ao cinema falado, recusa-se aos novos tempos - os anos 1930, a crise da década que se inicia com a quebra da Bolsa de Valores Nova York  e termina com a Segunda Guerra.


Parece a apontar e a recusar aos nossos tempos, nosso cinema, nossas crises, entretenimentos em 3D, 4D,  mais nada de novo...O epílogo pode mesmo ser a piadinha - também sem muita graça - do grande animador da noite,  Billy Crystal "Nada melhor para levar as preocupações para longe da crise econômica do que milionários entregando estátuas de ouro a milionários".

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sustentabilidade só pode ter valor humano


Já vem de um tempo que as marcas de moda grifaram os conceitos de sustentabilidade, eco e afins. Também já dura outro tempo que nesse espaço demonstro a minha desconfiança, desconforto. Pois em questões assim, em nosso mundo tão correto, não se mexe, apenas compra-se, quase sempre pagando-se caro para exibir bandeiras, ideias, selos, arte, conceitos.

Dessa forma, comunica-se o quanto se é  contemporânea/moderna, antenada e sensível. A linguagem utilizada pode vir de diversas formas: pela cor  - em codinomes sustentáveis tais como verde amazônia ou cores-símbolos do natural, palha, cru etc; na forma - cortes descomplicados, naturais, despojados; em estampas -naturebas, frases de efeito e umas tantas outras infinidades criativas;  nas matérias primas utilizadas- algodão orgânico, materiais reciclados pet, madeira de reflorestamento. E por aí vai...

Bolsa de Garrafa Pet por Jane Maria Machado
Era um guarda-chuva, por Cecilia Felli.
Muito bom ver  design, tecnologia e estilo unidos em favor do planeta!

Porém, pouco importa onde a antenada em questão adquire e o quanto adquire dessas preciosidades...Para muitas ecofashions, por serem tão modernas, podem sim ser do it designer da temporada ou mesmo numa  grande cadeia de fastfashion, porém internacional, Zara.

Quanto à exploração do trabalho escravo, essa, mero detalhe, pois sim terceirizada, quarteirizada...

Protagoniza-se mesmo apenas uma moda sustentável!


Deem só uma olhada na manchete divulgada pelo  Portal IG do dia 07 de dezembro:

Zara: denúncias de trabalho escravo não afetam vendas de Natal

Para consumidores, todas as grandes marcas do varejo de moda têm os seus “chinesinhos”

Quem quiser ler a reportagem completa, é só clicar aqui


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Uma aula em catalão


Nesse domingo, acordamos em expectativa. Não como a de um amigo, santista, de certa vitória, mas de um bonito espetáculo. Despertador toca cedo, hora de tique-taque, o do Barça - cadê a bola, não está mais comigo - e quem sabe, esse tempo passasse ainda com mais ousadia, de meninos da Vila, que, quiçá, marcassem um gol, podiam embalar uma dancinha, a la campeonato paulista. Junto dos catalães, encantaríamos a seriedade japonesa.

Que nada, o futebol brasileiro parecia mais real do que o rei. Jogo duro, sem cadência, mais sério que  a milenar sabedoria oriental

Final sem surpresa, o Barça é o melhor time do mundo! Porém, sem esperar, ouvimos do menino que não pôde ousar, grande maturidade ao afirmar "Não sei se é imbatível (o Barça), mas é o melhor time do mundo. Hoje aprendemos a jogar. O Barcelona foi muito superior, tem jogadores fantásticos. Serviu de lição para nós. O Barcelona ensinou a jogar futebol".

Porém, sabido mesmo é Peppe Guardiola que, ao ser perguntado sobre o esquema tático utilizado, ironizou num sorrisinho indisfarçado "O que tentamos fazer é tocar a bola o mais rápido possível. Na verdade, é o que o Brasil sempre fez, segundo me contavam meus pais e meus avós".

Teremos que reaprender!


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Até tu, Chanel?

Lendo a Carta Capital dessa semana, Rosane Pavam nos dá duas dicas de livros que valem muito para nós, apaixonados por moda, ter na estante -  O Segredo do Chanel n° 5 – A história íntima do perfume mais famoso do mundo (Rocco, 304 págs., R$ 39,50) e Dormindo com o Inimigo – A guerra secreta de Coco Chanel (Companhia das Letras, 368 págs., R$ 43).



No segundo, que já faz um tempinho  em que foi  lançado, Hal Vaugha investiga a famosa e controversa relação de Coco Chanel com o nazismo alemão. Apesar de traçar as íntimas relações de Chanel com as forças nazista durante a França ocupada, o autor afirma que a estilista não era espiã, mas "apenas" uma grande colaboradora do regime.

Já  a historiadora Tilar J. Mazzeo, em seu O Segredo do Chanel n° 5, ao traçar a história do mais famoso e luxoso perfume, inevitavelmente abordará as nebulosas relações mantidas por Coco. Esse livro particularmente me interessou. Para além de uma simples discussão se Chanel era espiã nazista ou não, parece traçar relações mais profundas, ao tratar a estilista não apenas como ícone, mas contextualizada em uma cultura e classe social que naquele momento nutria simpatia a regimes de extrema direita como o nazismo, que teoricamente a protegeria do "populacho".

Chanel e o poder, em caçada com Wiston Churchill e Churchill JR. 
Acho que vale a leitura!